Oi, gente... O post de hoje é daqueles que eu AMO, sou alucinada por fazer: pensamentos sobre o mundo da moda. Não sei se vocês curtem esse tipo de post mas adoro e acho tão tããããão importante que, além de usar moda, a gente pense a moda e discuta de forma saudável e edificante o tema, que sinto necessidade de vez ou outra fazer um post assim.
É CLARO que o assunto da vez é o famigerado #46naoentra (pra quem tá por fora, entenda aqui). Sei que vocês tão pensando "de novo?" mas vamos abordar por outro lado?
Além do fato óbvio de que as meninas que usam 46 e outros números, mesmo não podendo comprar uma calça, pode comprar uma blusa ou acessórios, gente, PERAÍ! Os blogs, para mim, são a inovação da moda. É a moda se renovando, se tornando mais dinâmica, mais acessível, saindo do intangível papel e corpos magérrimos e vindo pro "nosso" mundo, tomando forma de uma menina como eu, como você. O bacana dos blogs era tornar alcançável o mundo da moda, provar que a moda cabia no provador da Renner, no seu bolso e, mais ainda, no nosso cotidiano, que a moda e o estilo não era algo restrito, acessível apenas a elite, às, como diria Zeca Baleiro, "modelos magrelas na passarela". OPA! Que invertida os utópicos acabaram por levar, hein?
Não só hoje tudo é padronizado: o mesmo it cabelo, a mesma dieta do momento, a mesma tendência, o mesmo estilo, como também tudo agora parece ser um clube elitista exclusivo daquelas que se adaptem e se encaixem nesse padrão estabelecido. O ponto é o seguinte, gente: e daí se eu odeio mostarda e burgundy e acho calça flare uó? E daí que meu cabelo é enrolado e não faço babyliss no Pro? E daí que eu curto sair sem rímel? Qual o problema de eu não achar ok pagar 300, 400 reais em um sapato? De achar que um maxi colar de 200 reais não tem "preço amigo"? E, principalmente, qual o problema de não achar tudo isso ruim?
Tem quem queira se encaixar? Tem, sim. Mas quem não quer, deve ser, necessariamente, excluído? As meninas que usam 44, 46, 48 ou 54 são obrigadas a se sentirem de fora do mundo fashion? Quem não quer pagar 300 reais numa peça de roupa tem que estar por fora, às margens? Não deveria ser ao contrário, meninas? A gente deveria se sentir mais perto da moda por causa dos blogs, sentir que tudo isso é pra gente e não sentir que estamos excluídas e somos, de alguma forma, inferiores.
"Ah, Ana, agora quem é rica não pode usar marca boa?" Claro que pode! Pode e deve, oras. Se tem cacife pra isso, usa mesmo! Mas os blogs não são um exercício pro ego. Os blogs, a partir do momento que você topa veicular propagandas e vender um pedacinho do seu espaço, devem atingir todas as leitoras senão você vira mais uma revista que não traz idéias concretas mas coisas distantes e aí você se desvia de todo o sentido de ter um blog. Ou seja, não é só ir lá e postar "eu no restaurante X de vestido caro e bolsa mais ainda". Não basta que as coisas sejam feitas assim! Cadê a informação nisso? Cadê o "adapte isso a suas particularidades"? Porque a partir do momento em que o espaço for aberto pra pessoas de diferentes classes, corpos e estilos, a tendência é que as marcas percebam essa necessidade e esse novo grupo e passe a fazer tamanhos maiores, praticar preços mais justos, pode ser que surjam marcas mais acessíveis, que essas marcas mais baratas passem a se preocupar mais com a novidade, com o estilo. São suposições? São, sim! Mas olha só o fenômeno que os blogs de moda acarretaram. Será que o mesmo "boom" que ocorreu com as vendas de marcas de luxo não pode ocorrer com as marcas mais baratas também?
E, por fim, minha maior crítica é: você pode ser rica, magra e ganhar horrores de publicidade por mês mas isso, de forma alguma, te dá o direito de excluir, de segregar. Você pode, sim, ter uma loja cheia de produtos caríssimos mas será que isso te dá o direito de selecionar quem pode ou não comprar nessa loja? Não é abusivo colocar as pessoas numa espera por aprovação pra poder gastar o dinheiro suado numa coisa que ela ama e quer? Não tô falando de números aqui. Tô falando de gente. Gente que trabalha, que sonha, que rala, que faz dieta, que ataca um sandubão, que viaja, que economiza, que chora... gente como eu e você que nem sempre temos o cabelo bem penteado e nem carregamos uma Hermés mas que sempre arranjamos um tempinho praquilo que amamos, pra visitar um espaço que pode nos ajudar a nos sentir melhor, a nos sentirmos mais bonita. Gente que tantas vezes já ficou de fora e que tem sido excluída nesse mundo virtual, se tornando meros números de acessos. Gente que, usando 50 ou 32, se acha linda em uns dias, feia em outros e se esforça pra ser o melhor que pode e ter o melhor que pode todos os dias. Gente que as blogueiras deveriam estar ajudando e as marcas enxergando.
Uma pena, na minha opinião, que, em 2012, ainda haja essas coisas de "fulana compra aqui mas ciclana não". Uma pena que a beleza ainda se leia em números e estilos pré-estabelecidos. E uma pena gigante que o estilo ainda seja tão padronizado.