No primeiro dia teve a Herchcovitch, linha mais street de Alexandre Herchcovitch, Cantão, Patachou, Acquastudio e Alessa. Ontem, o segundo dia, foi dia de 2nd Floor, Melk Z-Da, TNG e Coven. Bora pro balanço:
A coleção da Acquastudio foi inspirada na alta-costura e no "moulage", técnica onde o molde é feito no manequim e não em formas planas, e teve tons e tecidos delicados misturados a elementos mais fortes. Na teoria, a inspiração era linda e super conceitual mas acho que na hora de traduzir isso para os looks, a coisa desandou um pouco e alguns looks acabaram ficando meio velhos e sem o glamour que se espera da alta-costura, mesmo assim a coleção teve pontos altos. Os vestidos de festa bordados com flores e as saias midi de cintura alta em tecidos metálicos foram, pra mim, o mais bacana da coleção.
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A make do desfile foi assim:
A beleza também foi mais clássica com toques modernos, como o coque lateral bem alto. A pele era super leve com blush só fazendo o papel de trazer aquela carinha de saúde, os olhos foram feitos com sombra dourada clara e em formato gatinho. Achei bem integrada a beleza com a coleção e o conjunto acabou ficando fofo!
Sou suspeitinha pra falar de Alexandre Herchcovitch, pois sou fãzona do trabalho dele! Acho que é, sem dúvida, um dos estilistas mais bacanas do Brasil e um dos mais corajosos e vanguardistas. Mas a coleção da Herchcovitch não me encheu, mesmo considerando ser o evento e a marca mais comerciais. A inspiração veio dos artistas de rua dos anos 80 e a coleção foi, realmente, bem fiel a essa época. Como já tinha dito pra vocês, acho que esse final de anos 80 e começo dos anos 90 vão começar a "bombar" agora e elementos dessa época foram fortíssimos no desfile da Herchcovitch, como a cintura alta, a modelagem "moletom", as camisetas mais largas e curtas, os vestidos jeans. Bom, vamos as "ibagens" (#datenafeelings)?
O ponto alto, em minha opinião, são as peças camufladas e os vestidos jeans. E, claro, MORRI com o suéter largão de caveira, né? De maneira geral, achei a coleção bem coesa, bem Herchcovitch e, apesar de não ter empolgado, tem peças e idéias bem bacanas.
Adorei a beleza do desfile com o cabelo black power murchinho. Acho que o cabelo enrolado e mais armado é um dos símbolos da época que inspirou o estilista e foi apresentado de uma forma nova e bem bacana. A pele é bem básica com iluminador dourado e os contornos do rosto são bem marcados, já os lábios ficam na idéia do balm e nada mais. Aprovado!
Alessa é marca conhecidíssima das cariocas e revende hoje pra mais de 30 países e 150 multimarcas no Brasil. A estilista foi buscar sua inspiração nos tapetes persas e as estampas dos tapetes digitalizadas ficaram um show! O desfile repleto de mix de estampas, pegada étnica e modelagens amplas e fluidas contrastando com cortes mais rígidos e tecidos mais pesados foi, pra mim, um dos melhores até agora. Vamos ver?
O ponto alto do desfile, na minha opinião, foram as peças de alfaiataria e camisaria com estampas étnicas contrastantes. De encher os olhos, né?
No quesito beauté, mais um ponto pra Alessa. A pele bem lisa com contorno da maçã bem marcado com blush opaco, os olhos com marrom matte, os lábios leves - tudo casa muito bem com a idéia do étnico.
O conforto dos casulos foi a inspiração da equipe de estilo da Cantão para a temporada e apesar de super conceitual o tema, a coleção acabou por ser super comercial e usável. Não teve grandes surpresas ou inovações mas é o estilo de roupa que você vê e quer sair usando, sabe? Tudo muito básico, com cara de quentinho e confortável. O que dá charme são os acessórios e a montagem dos looks e cores. E por falar em cores, na cartela da coleção, tons neutros como branco, cinza, bege misturados a tons mais apagados como o mostarda, o verde musgo e tons "elétricos" como o azul royal, o amarelão e o vermelho. Outra aposta da marca foi o xadrez mais masculino, meio "lenhador" incorporado ao guarda-roupa da mulher.
A coleção é bem coesa e acaba dando vontade de sair assim já, né?!
Como não poderia deixar de ser, a beleza da Cantão foi totalmente natural! Cabelos soltos, sem repartição, olhos e pele bem "limpos" no melhor estilo "tá frio e só quero ficar quentinha" e acho que os lábios com esse aspecto mais seco e as bochechas rosadas contribuem e fecham com chave de ouro essa idéia.
Inspirada no Oriente, a coleção da Patachou trouxe uma mistura do Oriente "Japão" (inventando regiões com Ana Cláudia...) com o Oriente Médio que eu achei muito bacana! Se era a intenção da estilista fazer esse mix, eu não sei mas impossível não associar os quimonos ao Japão tradicional e os tons dourados e os tons mais quentes com a opulência do Oriente Médio e seus sheiks. A idéia, as peças e os acessórios são bacanas mas vejo dois problemas no todo: 1) ficou muito pesado a combinação de tecidos "ricos", com tons fortes, com bordados... enfim, acho que a mistura do muito com muito ficou demais; e 2) bom, se a pessoa não tem 1,80 e 50 kgs, provavelmente as modelagens amplas e cheias de prega não vão valorizar em nada, né? Ou seja, achei a idéia lindíssima mas a execução deixa dúvidas pra mim.
Como a inspiração vinha do Oriente, claro que a beleza tem um quê de gueixa, né? A pele é impecável, apesar de leve, e os lábios são em tons fortes e escuros de vermelho e vinho. O cabelo é todo pra trás, bem grudado na cabeça, com toque retorcido. Um visual bem austero mas que ficou bacana.
Bom, gente, esse foi o balanço do primeiro dia (e o post mais longo da história do blog)! O que acharam? Qual o preferido de vocês? Qual o pior? Me contem! Mais tarde, tem o segundo dia, ok?
Beijos,
Ana
Cassandraaaa!! Que saudade =D
ResponderExcluirAdorei o post, muito bem explicadinho! Você detalhe na medida certa ;)
Bom, uma das coleções que eu mais gostei foi a da Cantão, acho que por ser mais "usável" como você mesma falou!
Beijão!
Ana Luisa Casaroli.